segunda-feira, 13 de maio de 2013


Era todo meu. Desde que o percebi em mim, passei a cuidar dele. Todos os dias eu o regava logo no frescor da manhã. Eu o cerquei com tábuas de cedro para tentar protegê-lo de todos os perigos. Os raios do sol eram tão lindos sobre suas folhas! Seu verde estava cada vez mais intenso. Crescia se robustecia. Parecia cada vez mais comigo. Eu lhe enfeitava a meu modo. Cheguei a gravar meu nome em seu tronco. Era meu.

Às tardes, me refrescava sob sua sombra. Não via a hora de degustar-lhe os frutos. Mas eles ainda não vieram. Contudo tinha flores e a brisa do crepúsculo derramava seu pólen sobre mim. Mas numa dessas tardes, senti esse vento um pouco mais forte e mais forte. Corri pra pegar meu casaco e me enrolei a ele com força. Vi que o forte tronco se balançava compungitivamente. As tábuas que o cercavam foram insuficientes para deter o furor daquela tempestade. Nenhum dos meus esforços pareciam suficientes e num estrondo ensurdecedor em meu coração, vi tombar todos os meus sonhos. Perguntei aos céus porquê.

Havia depositado ali um pouco de todos os meus dias. Havia cuidado, zelado e feito tudo da forma mais correta possível. As flores haviam sido levadas há muito por aquele vento e poucas de suas pétalas rolavam ainda pelo chão, enquanto aves distantes faziam soar um canto fúnebre. Tudo que me restava era o resto de um tronco machucado, ferido e sem vida.

Chorei. Torrentes de meus olhos regaram por longos dias aquele chão. Já era eu quem estava morta ali. Não conseguia discernir a diferença dos tempos. O inverno e a noite me dominaram. Olhava aquele tronco ressequido. Onde habitaria a esperança? Não vi que o sol de nasceu de novo. Não vi que ele continuava a brilhar. Então clamei. Sem forças, caído, ressequido, sem alma. Chorei. Uma última lágrima ardida era todo conteúdo que rasgava o meu vazio. Adormeci. E sonhei.

Voltei naquele momento em que não queria lembrar. Ouvi de novo aquele barulho ensurdecedor, mas como uma flor, aquele vento começou a me levar. E fui a lugares distantes, que minha mente jamais poderia alcançar. Em cada canto que eu passava, vi que havia desespero, mas um pouco de mim ficava lá. Era um pequeno pólen de sonho, plantado pelo vento em todo lugar. Perdoem-me a rima, mas foi que meu coração nesse momento voltou a cantar. Um prelúdio lento como uma valsa de primavera que, pétala a pétala, trazia luz e cor ao meu jardim particular.

Quando acordei vi um raio de sol, pequeno suave, focado. Apontava para minha árvore e lá contemplei discreta uma flor diferente de tudo que pude sonhar. Brotava um renovo, nunca vou saber explicar. Vi-o crescendo de modo tão estupendo, fantástico – incrível – mas estava lá. Forte, majestoso. Maior que o primeiro.

Então entendi que o vento leva sonhos como um semeador que saiu a semear. Seu forte ímpeto alcança lugares impossíveis. Sonhos plantados no coração de Deus sempre vão gerar frutos e saciar corações famintos, almas sedentas, pedidos de socorro. Deus faz da morte, a vida brotar.

Por Iky Fonseca

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