segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Dedico esse texto às garotas que amam sapatos, mas que dedicam suas vidas ao criador dos nossos pés e guia dos nossos passos.

Quero lhes contar a história de uma garotinha e seu gosto peculiar por sapatos. Ela tinha cerca de sete ou oito anos de idade, sua mãe havia lhe presenteado com um tênis vermelho, ele tinha algumas pequenas flores em sua superfície, era o tênis mais bonito que ela já tinha visto, deveria ser rosa, mas tudo bem, ela aprenderia a gostar de vermelho. A partir daquele dia não havia outro sapato em sua sapateira, o tênis vermelho servia com todas as roupas e era usado em todos os lugares, mesmo que suas irmãs discordassem disso.

O tempo foi passando, o tamanho do seu pé não era mais o mesmo, porém o tênis continuava perfeito, apesar de tão utilizado. Sua mãe decidiu doar o tênis, mas a teimosa menina, como sempre, discordou, afirmando que o tênis ainda lhe servia. Começou a encurvar os pés para se adequar ao tênis e a andar lentamente, pois os dedos estavam calejados e doloridos. O tênis ficou velho e foi para o lixo.

Nove ou dez anos se passaram, a garotinha agora era uma adolescente, ainda apaixonada por sapatos, mas agora preferia os saltos de 15 cm ao tênis vermelho. Sua amiga iria se casar, era do grupo jovem da igreja, todas as garotas estavam ansiosas para o grande dia. E como toda ocasião especial merece um sapato especial, lá estava ela, admirando os sapatos expostos na vitrine. Bastou um olhar, ele era lindo, combinava perfeitamente com o vestido, caberia no orçamento da sua mãe, perfeito, era “o sapato”. A menina só esqueceu que talvez ele não coubesse no seu pé. Por que não, se era exatamente o número que ela calçava? Bastaram 5 segundos e uma rápida andadinha em frente ao espelho, não existiria no mundo um sapato mais adequado.

Chegou o dia da cerimônia, a menina demorou tanto se arrumando que chegou atrasada e não encontrou assento na igreja. Não demorou muito para que ela percebesse o quanto aquele sapato a incomodava. Ela torcia para que aquela cerimônia chegasse ao fim, acho que nem o noivo estava tão ansioso para o esperado “eu os declaro marido e mulher”. Durante a festa, a menina ficou paralisada como um poste, sentia muita dor nos pés, olhava para o sapato e se arrependia de tê-lo comprado.

Agora acho que devo uma explicação sobre o porquê dessa história. Bom, essa garotinha era eu, hoje, tão teimosa e amante de sapatos como antes, muitas vezes insisto em levar para casa diversos pares que não se encaixam perfeitamente em meus pés.  Porém esses sapatos possuem nomes, eu os chamo de “MINHA VONTADE”.



Eu contei a história desses sapatinhos para lembrá-las que todas as vezes que olhamos as coisas sob a nossa perspectiva, que esquecemos que existe um Deus soberano que tem pensamentos de paz a nosso respeito, e que desejamos que as nossas vontades sejam realizadas, mesmo quando não sabemos se é a vontade do Pai para as nossas vidas, calçamos sapatos que não se encaixam em nossos pés. A princípio eles nos parecem perfeitos, mas com o passar do tempo, calçá-los se torna algo doloroso. Quando escolhemos a nossa vontade, caminhamos lentamente, ou até mesmo ficamos paralisadas, e quando isso acontece, não conseguimos chegar ao centro da vontade de Deus, não prosseguimos para o alvo, porque estamos estagnadas.

Recebemos uma nova vida em Cristo Jesus, nossos pés não são os mesmos, por que encurvá-los com o intuito de calçar sapatos que não mais lhes servem? A nossa vontade não nos cabe mais. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”(Gálatas 2:20). Hoje, a minha oração é que ao olharmos as vitrines da vida, possamos nos lembrar do sacrifício de Cristo, da sua maravilhosa graça, que desejemos unicamente a sua vontade, crendo na sua soberania e na certeza de que a sua vontade é boa, perfeita e agradável.

Jeremias nos lembra perfeitamente do perigo de escolhermos sapatos errados quando diz: “eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem é do homem que caminha o dirigir os seus passos”. Enquanto insistirmos em olhar para as vitrines confiando no nosso próprio entendimento, enquanto 15 cm a mais altura por alguns minutos custarem as cicatrizes de pés feridos e calejados por uma vida inteira, e enquanto a beleza do sapato for mais importante do que o caminhar, o caminho e o guia do percurso, não saberemos o quanto é prazeroso andar confortavelmente na presença de um Deus que se importa com a integridade dos nossos pés.

Que diante de tantas escolhas, deixemos o Pai escolher por nós, que nos deleitemos tanto no Senhor, ao ponto de que a nossa vontade se torne a vontade dele, assim Ele satisfará o desejo do nosso coração. Ele sabe o número que calçamos, a forma mais adequada, Ele conhece a cor que mais combina, afinal, Ele criou os nossos pés, portanto, deixemos que Ele dirija também os nossos passos.

Presente de Jaqueline Marques

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