Archive for Fevereiro 2019

Rastejando


Minha vontade era parar, ficar deitada e poupar o que me restava da pequena força. Não que eu tenha sido sempre assim, já fui uma mulher vigorosa, na labuta diária, no trabalho, em casa, nas ofertas... Parecia um fluxo normal, era comum como acontece com todo mundo. Mas simplesmente não parava. Dia após dia, após dia, após dia, que viraram meses, viraram anos e eu só sentia minha vida se esvair. Não havia nada que eu fizesse que pudesse contê-la. Tentei usar meu dinheiro e investir em mim, continuei a escorrer; Tentei indicações de amigos, mas não foram eficientes comigo. O relógio e o calendário só me afligiam, cada ocaso do sol zombava da esperança no próximo alvorecer. Já não era mais tão jovem e perdia minha beleza, as pessoas lentamente se afastaram e me perdi na solidão. Sem recursos, ouvi que o Poderoso estava por perto, mas corri o risco de enfrentar o que mais me doía: o olhar das pessoas e sua possível rejeição. Quis correr, pelo menos andar, mas só pude me arrastar e rastejando, como criança que não sabe andar, como velho sem forças para levantar, como soldado ferido nas trincheiras, dependente, limitada, fui silenciosa até Ele. Estiquei com grande esforço minhas mãos debilitadas e toquei na pontinha de suas vestes. Eu não poderia esperar mais que isso, quem era eu para querer sua atenção? Ouvi a voz dEle. Quão doce, quão suave, quão acolhedora! "Quem me tocou?" Como um toque tão fraco pode sensibilizar alguém que tem tanto a fazer? Me sinto amada, me sinto nova, perdoada, como um vaso refeito que retém o vinho novo de sua própria vida.

Ósculos de esperança,
Iky Fonseca
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Vulnerável

Mais uma vez à beira-mar eu vejo as ondas agitando-se de um lado a outro. Sinuosamente elas se levantam até quebrarem forte e repentinamente. Meus pés apegam-se tanto quanto podem ao que tenho de mais sólido agora, o piso do barco. Não posso chamá-lo de estável: o mar cresce, mas este é o lugar a que estou acostumada. Quantas noites passei no comando deste leme? Quantas tempestades enfrentei agarrada com toda força à minha experiência para fazer tudo ficar bem? Embora agitada, aflita, não há nada que eu possa fazer sobre o que está lá fora, mas bem, eu comando aqui dentro e vou empregar todas os meus esforços para manter esta embarcação adiante. 

As ondas rebentam sobre mim e encharcam minha autoconfiança; desesperada, estou quase indo a pique. Minhas forças se esvaem, estou abalada, joelhos fracos, braços cansados, todo meu empenho parece ser insuficiente. Acho que falhei. Vejo-O ao longe, se aproximando, mas definitivamente não O reconheço. Meus temores, fortalecidos pelo sentimento de total fracasso, enxergam ali todos os fantasmas dos quais fugi, parece que chega o fim da minha vida. Então Ele se aproxima. As vagas furiosas lhe servem de tapete contrastando com a placidez de sua voz: "Não temas! Coragem!" Aquelas palavras me fazem perceber que eu precisava sair do lugar, era preciso deixar minha zona de controle e me entregar vulnerável sobre o terreno mais instável sem nada a me apoiar senão nEle. "Se é você, Senhor, me faz andar sobre a água também". "Vem!" Seu convite disse-me: arrisque-se, deixe o comando, aventure-se no novo, viva o inesperado, pare de tentar medir as condições e o que pode fazer a respeito delas e confie em mim". 

Saí. Percebi finalmente a vastidão que me esperava além do barco. Euforia, alegria e esperança pouco a pouco substituem o desgaste e a aflição. Perder o controle restabelece minha segurança. Um passo, dois passos, alguns passos firmes até sentir o vento forte. Por algum tempo, eu não o notava, mas o alvoroço que ele causa me lembra dos riscos e de que ali não há muito o que fazer por mim mesma. Estou me afundando nos mesmos sentimentos, pensamentos e sensações. Não consigo, não sei voltar. Desesperada e sem recursos, só me resta pedir socorro. Com sua força, ele me faz respirar outra vez. Ele poderia ter me punido e me entregado à frágil salvação de meus próprios méritos, mas Ele me concedeu vida de novo, sim, eu tenho uma nova chance. Ele muda o cenário e então meu barco se estabiliza, sem que eu tenha feito nada para isso.

A brisa sopra suave, levanto-me silenciosa da areia, coração ainda acelerado, tua voz acalmou a tempestade em mim.



Ósculos santos,
Iky Fonseca
*Baseado em Mt 14.22-33
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Quem somos?

Jovens que escolheram a santidade para todas as áreas de suas vidas, inclusive para os relacionamentos. Acreditamos que a família é um projeto tão importante que devemos investir nele antes mesmo do namoro e do casamento.

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